Domingo, 12 de Setembro de 2004

A Alice a puta.....

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Acordo sem vontade de levantar o corpo da
cama.....outro dia igual a tantos outros, outro dia da minha puta de vida.


Mas é isso mesmo que eu sou, uma puta,
uma mulher que ganha dinheiro a vender o corpo, a fazer sexo pelo sexo, sem
sentimentos, sem entrega, sem amor. Amor?  Palavra que oiço apenas, nunca a
senti em mim...nunca soube que era amar alguém, será que é importante saber o
que é? Quem pode amar uma puta? Quem entrega o coração a uma mulher que faz sexo
pelo dinheiro? Ninguém, ninguém se entrega......ninguém.


Levanto-me e olho no espelho......viro os
olhos, não me quero ver, não quero ver a imagem de uma puta , de uma mulher
vazia, oca, seca.....aquela não sou eu! Não quero ser eu! Recuso o meu reflexo
no espelho.....mas sou eu que estou ali, aquela é a Alice, a que está todas as
noites naquela esquina escura e fria á espera que os carros parem, à espera de
homens nojento que procuram sexo num corpo jovem e que ainda é belo. Aquela
ali....é a puta da Alice.


Alice, meu nome de rua....meu nome de
guerra, nome que os clientes procuram, nome que o meu chulo me chama, nome
.......nome de puta.


Margarida, Margarida, já não consigo
dizer meu nome verdadeiro, nome que minha mãe escreveu ,nome que meu pai me
chamou" Margarida como uma flor" disse ele aos amigos, com os olhos brilhante e
felizes.....minha Margarida, minha filha. Onde se perdeu essa Margarida? Nada me
faz lembrar que um dia fui feliz, que fui criança, mulher, que fui alguém nesta
vida, com nome próprio , com amor, lágrimas , alegria com tudo...hoje não tenho
nada dessa vida, nem o nome, nem a flor...deixei tudo naquela terra distante e
bela. A Margarida morreu no dia que nasceu a Alice, essa é a que existe hoje,
essa sou eu....


Olho para o relógios, está na hora de
começar o ritual, de começar a vestir  a farda, Alice começa a surgir
......o espelho já conhece a imagem , já sabe quem está a preparar-se , não
reflectem a lágrimas que antes saiam dos seus olhos, já não se quebra quando ela
atirava as botas altas.......é tudo igual a todos os dia....a Alice puta está a
preparar-se para sair.....os homens esperam seu corpo para terem 20 minutos de
prazer.......e ela, será que tem 5 minutos de mulher desejada e amada? A Alice a
puta............





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publicado por scamuflada às 23:42
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10 comentários:
De Anónimo a 22 de Setembro de 2004 às 00:52
Onde andas Sofia?LetrasAoAcaso
(http://LetrasAoAcaso.weblog.com.pt)
(mailto:LetrasAoAcaso@hotmail.com)
De Anónimo a 18 de Setembro de 2004 às 22:48
Uma vida de puta nem sempre será uma puta de vida. E as putas como a Alice serão uma espécie em extinção dentro em breve - para o bem e para o mal. Adorei a forma como escreveste, Sofia. ;-)sPOt
(http://spot-me.blogspot.com/)
(mailto:s_p_o_t_m_e@hotmail.com)
De Anónimo a 18 de Setembro de 2004 às 11:28
Há muitas como a Alice... Mas também há muitas que se vendem por necessidade... =) uma beijokaBiG_M
(http://bigmena.blogs.sapo.pt)
(mailto:big_m@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Setembro de 2004 às 11:09
[ ... deixo um mimo: "paixão, decerto arrepio sentido, amor ardente, sentimento excessivo, sofrimento intenso e prolongado, decerto calafrio vivido. © pipetobacco ( heterónimo de © biquinha ) ... ]pipetobacco
(http://luzdetecto.mgrande.com)
(mailto:pipetobacco@sapo.pt)
De Anónimo a 16 de Setembro de 2004 às 21:12
Pelo facto de o serem não deixam de sentir.
E só existem por causa da volúpia de alguns homens.
A cada acto a que se submetem, a indignidade de mais um pedaço perdido ingloriamente.
Excelente este teu texto a trazer uma dura realidade tantas vezes deturpada.
Um beijito.
LetrasAoAcaso
(http://LetrasAoAcaso.weblog.com.pt)
(mailto:LetrasAoAcaso@hotmail.com)
De Anónimo a 14 de Setembro de 2004 às 23:08
Vim retribuir a visita. Olá! E até un jour!Emanuel Bento
</a>
(mailto:ebentoso@hotmail.com)
De Anónimo a 14 de Setembro de 2004 às 19:28
Belo texto, amiga, mostrando a humanidade de tantas mulheres como essa. (Apanhei um susto... eu chamo-me Alice:))). beijinhoslique
(http:mulher50a60.weblog.com.pt)
(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 13 de Setembro de 2004 às 16:04
Bela prosa poética. Alice apesar de puta é pessoa. Isso ninguém lhe tira. Tem sentimentos, senão não se sentia assim. bjswind
</a>
(mailto:sagit_126@hotmail.com)
De Anónimo a 13 de Setembro de 2004 às 15:16
Esta é a triste realidade de tantas Alices que encontramos em qualquer esquina. Magnifico texto!! Desejo de uma semana muito feliz, beijinhosMaria Branco
(http://cumplicidadespartilhadas.blogspot.com)
(mailto:branco_maria@hotmail.com)
De Viriato a 5 de Junho de 2007 às 01:28
Não é impossível amar uma puta. O que eu vinha à procura era de algo que me elucidasse sobre o relacionamento entre um homem e uma puta...Vou explicar, no caminho que percorro diariamente passo por uma zona de prostituição, e há uma delas que chama a atenção do meu olhar, por vezes encontro-a no café ou a registar o loto no quiosque, e noto que existe uma espécie de empatia...sem nunca no entanto termos conversado sobre nada. Embora já tenha recorrido a este tipo de "serviços" dentro de portas nunca parei na estrada para ter prazer com essa mulher única e simplesmente porque para mim mesmo sendo com uma puta é muito "mecânico" e eu procuro mais... Por vezes mesmo que o cliente queria ser mais "carinhoso" se é assimque se pode dizer "ela" por vezes não o permite...Gostava de trocar impressões contigo se puder ser, sobre como se sente uma mulher assim e como ela quer que o homem seja.

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